Construções e reformas: Conheça o trabalho do arquiteto

Dezembro de 2016 


Para muitas pessoas, construir ou reformar sua casa ou apartamento é um sonho, para outras é uma grande dor de cabeça. Este segundo grupo às vezes evita ao máximo mexer com obras, o que pode até prejudicar a integridade de seu imóvel, caso hajam algumas manutenções necessárias que não são aconselháveis de se postergar. Trincas, vazamentos, deterioração da pintura ou do reboco, telhados com estrutura apodrecendo, telhas quebradas ou deslocadas, impermeabilizações degradadas etc. Enfim há uma série de desgastes na edificação que se forem negligenciados podem, com o tempo, aumentar exponencialmente os prejuízos.

Uma boa alternativa, tanto para quem constrói quanto para quem reforma, é a contratação de profissionais habilitados para lidar tanto na etapa de projeto quanto na etapa de execução de obra. Muitas pessoas evitam contratar um perito competente pois acreditam que seria um custo a mais que pode ser poupado, mas em muitos casos um bom profissional pode reduzir os custos e ainda aumentar a durabilidade da edificação, ou seja, o investimento tem retorno.

 O arquiteto é aquele profissional que tem uma visão sobre a edificação como um todo, no seu trabalho utiliza de conhecimentos que irão contribuir para que os espaços tenham funcionalidade e sejam bem aproveitados.  O projeto arquitetônico contempla o conforto nas atividades que os usuários desenvolverão em cada ambiente, pensando sempre nas dimensões adequadas de circulação, nas alternativas apropriadas de ventilação, iluminação e etc. O arquiteto, além de pensar essas soluções técnicas, trabalha questões de estética e de valorização dos espaços e das perspectivas da edificação. Os materiais escolhidos, além de cumprirem uma função de revestir e proteger a edificação, permitem maior durabilidade e comodidade aos habitantes, e possibilita ainda o equilíbrio e elegância do objeto arquitetônico.

 Já os projetos complementares (que também são realizados por arquitetos e a engenharia compartilha dessa atribuição), dão suporte aos aspectos essencialmente técnicos da edificação, geralmente os clientes não opinam muito sobre as decisões estruturais ou sobre as especificidades das instalações (elétricas, hidráulicas e etc). Mesmo o cliente contratando diretamente profissionais de engenharia, é mais cômodo deixar que o arquiteto guie o processo dos projetos complementares, inclusive para que a estrutura e as instalações não desconfigurem a arquitetura que foi solucionada anteriormente. Contratar um arquiteto como gestor de uma obra, apesar de ser aconselhável, naturalmente não é obrigatório, esse serviço apenas trará mais tranquilidade principalmente àquelas pessoas que têm dificuldades em enfrentar uma obra ou simplesmente não têm tempo ou aptidão para lidar com pedreiros, bombeiros, eletricistas e etc.

O serviço de arquitetura não é tão utilizado quanto o de outros profissionais liberais, como médico ou dentista, por isso também há menos conhecimento sobre suas formas de atuação. Existem serviços e projetos de arquitetura mais simples ou mais complexos, esse grau de complexidade irá interferir naturalmente nos custos de cada trabalho. Mas é importante se ter em mente que da mesma forma que se pensa em um dentista quando se tem uma dor de dente o profissional que deve ser lembrado quando se tratar do espaço edificado é o arquiteto. Além de otimizar as soluções e reduzir custos, o profissional em arquitetura pode ajudá-lo a planejar a realização de obras em etapas ajustando ao seu orçamento disponível. Há ganhos intangíveis como a qualidade, conforto e beleza do espaço que podem ser traduzidos em algo mensurável, como a valorização do imóvel ou a durabilidade das soluções.

O diploma de arquiteto permite uma formação única que o habilita a unir técnica, criatividade, funcionalidade e estética, deixando o seu imóvel mais agradável, ambientalmente sustentável e adequado às suas necessidades e ao seu orçamento.


Esse texto é uma singela reverência a todos os colegas que celebram no dia 15 de dezembro o Dia do Arquiteto e Urbanista.

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Qualidade de vida: um equilíbrio entre trabalho, consumo e necessidades humanas

Outubro de 2016


Estudiosos relatam que após a Revolução Industrial houve uma reestruturação social e nos costumes modernos. O surgimento de tecnologias de comunicação e transporte se justificaram como uma nova necessidade moderna de otimizar o tempo, mas geralmente o tempo ganho em certas atividades acaba sendo substituído por outros afazeres. Assim o homem moderno está frequentemente ocupado, independente do avanço das velocidades que a tecnologia proporciona.

Desde então a atividade humana que recebe maior importância é o trabalho, um forte indício é quando se pergunta a um adulto sobre o que ele faz da vida, usualmente sua resposta é a identificação de sua atividade laboral. Mas cientistas sociais dizem que no fundo todo trabalhador vive um conflito, pois ao mesmo tempo em que assume a importância do trabalho deseja o repouso de suas tarefas para usufruir um tempo para si. Se tempo é dinheiro, há uma tendência de se substituir o tempo livre pelo consumo, pois visto como uma perda de tempo, o ócio aparentemente pode ser menos vantajoso que a oportunidade de fazer compras ou de gastar com experiências agradáveis para si.

O esforço de ganhar dinheiro através do trabalho acaba sendo compensado por aquisições que irão minimizar o cotidiano desgastante. Assim se compra carros confortáveis para se deslocar, casas bonitas e agradáveis para aproveitar o pouco tempo que se passa na residência, além de outras formas de consumo que transmitem a sensação de bem estar cotidiano, como vestir-se bem e cuidar da aparência. Outra forma de recompensar o trabalho é através do consumo de experiências prazerosas como ir a restaurantes, cinemas ou viajando.

O que acabo de descrever são situações comuns aos cidadãos urbanos, e àqueles que não estão de bem com sua qualidade de vida precisam respirar fundo, meio à correria moderna, para refletir. O trabalho e o consumo não devem atingir um ciclo vicioso, em que as pessoas se desgastam muito para poderem consumir aquilo que não é essencial. E aquelas pessoas que não trabalham intensamente, mas também não passam necessidades, não devem se afligir tanto pela tentação de poderem consumir mais, o ideal é achar um ponto de equilíbrio entre suas condições financeiras e um cotidiano agradável.

A verdade é que a felicidade genuína está no ponto de equilíbrio, um grande exemplo pode ser extraído de estudos populacionais. A Dinamarca, considerado o país mais feliz do mundo, apesar de estar longe de ser o país mais rico ou o que tem os padrões mais elevados de consumo, consegue proporcionar uma qualidade de vida diferenciada para seus cidadãos.


Como urbanista, não posso deixar de lembrar que a Dinamarca investe muito na qualidade de seus espaços públicos, que juntamente com jornadas de trabalho reduzidas, estimulam os habitantes a usufruírem das opções de lazer gratuito e maior tempo livre para a família e amigos. O ócio e lazer são necessidades humanas, não podem ser substituídas pelo consumo, e o trabalho também é importante, mas não pode ser alienante a ponto de repercutir na saúde e qualidade de vida das pessoas.

Salsichas Urbanas

Novembro de 2014

Viadutos em Los Angeles (EUA) – O desenho de 
uma cidade pouco compatível com a escala humana


"Viadutos representam o caminho mais curto entre dois pontos congestionados", a frase replicada por vários especialistas, aponta o modelo equivocado que são as "carcities" (cidades do automóvel). O modelo desenvolvimentista estimulou a aquisição do automóvel, seu uso ostensivo e a criação de infraestrutura para "acomodá-lo". Hoje, nosso melhor exemplo equivocado é a cidade de Los Angeles, que consegue "engarrafar" milhares de carros nas suas generosas pistas com oito faixas por sentido de tráfego. 


Belo Horizonte não foi muito diferente e cedeu e ainda (infelizmente) vem cedendo a esse padrão. Porque? Porque ainda funciona, já que as pessoas compram seus carros, entusiasmadas, e têm a oportunidade de eventualmente circular livremente. Mas estamos realmente satisfeitos com essa realidade? Às vezes a nossa capacidade de avaliação é um pouco ineficiente, talvez fiquemos muito mais tempo presos dentro de nossos carros do que livres, mas acabamos considerando mais a parte boa. Acho que é como comer Cachorro Quente, há alguns anos atrás se dizia que "quem sabe como são feitas as salsichas, não tem mais coragem de comer", hoje a grande maioria das pessoas sabe que a salsicha tem uma composição duvidosa, mas é mais gostoso ignorar o fato e aproveitar as mordidas. Acredito que para interromper o consumo das salsichas seria necessário que os órgãos competentes a retirassem do mercado.

Então, sem o intuito de tirar os automóveis do mercado, eu vou contar a receita da salsicha urbana (sim, o seu carro, no caso, é uma salsicha): Há um lobby empresarial que depende da cultura do automóvel para sua perpetuação no mercado, a princípio não há nada de errado nisso, essa é lógica do capitalismo, empresas precisam de lucro. O modelo — que influencia nosso dia a dia, interfere no desenho desumano de nossas cidades e é responsável por milhares de mortes no trânsito e pela poluição do nosso ar — é sustentado por um tripé corporativo, que é composto pelas empresas que dependem da comercialização do petróleo, ou da indústria automobilística, ou das obras de infraestrutura rodoviária. E você bem achava que o automóvel era sinônimo de liberdade, não é?

Pode ser um pouco “indigesto” saber a composição da salsicha urbana, é possível até balançar alguns de seus amantes, mas não precisamos ser radicais e parar de consumi-la, talvez, assim como o cachorro quente, podemos dar prioridade para o consumo nos finais de semana, ou podemos aprender a dividir com o colega de trabalho. Assim a pressão alta da cidade agradeceria.
     


Estudo de Impacto de Vizinhança

Agosto de 2014




Talvez você já tenha ouvido falar esse termo, mas ainda não sabe o que significa. Pois bem, o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) foi estabelecido como um instrumento da política urbana através da lei federal 10.257/2001, denominada Estatuto da Cidade. A definição da política urbana é de responsabilidade do próprio município, e Belo Horizonte é uma das cidades que já usa o EIV como instrumento de regulação do uso do solo urbano.

Parte-se do princípio que a cidade é um organismo complexo e vulnerável, e deve ser controlada para que edifícios de diferentes características de ocupação e porte não se transformem em um câncer no solo urbano. Se você pensou em favelas, adianto que as mesmas são ocupações geralmente mal vistas pelos cidadãos que vivem na cidade formal, mas sem dúvida uma favela urbanizada pode ter muito menos impactos negativos que alguns setores considerados nobres.

Um bairro como o Belvedere, por exemplo, pode ser um contraexemplo de urbanismo. Bastante verticalizado, influenciou negativamente na ventilação da cidade de Belo Horizonte e em boa parte do trânsito da cidade.

Não é engraçado pensar como nosso instinto pode nos enganar? Vendo as duas imagens acima não seria uma surpresa que a grande maioria das pessoas atribuiria as favelas como o espaço mais representativo dos problemas urbanos. Porém, essa sensação é um equívoco, já que o novo urbanismo sabe que as favelas não devem mais ser extintas, como se praticava no passado, mas deve sim haver um trabalho de inclusão. Além disso, Belo Horizonte é um exemplo para o mundo no assunto "urbanização de favelas".

Vale lembrar que prós e contras sempre vão existir, o que significa que as favelas não são totalmente positivas e bairros nobres adensados também não são totalmente negativos. Mas o EIV serve justamente para balancear os benefícios e impactos de uma edificação, e se for necessário cobrar dos empreendedores ações mitigadoras de impacto ou medidas compensatórias.

Nova BH


O texto que você leu permite que você como cidadão fique mais atento ao que acontece em sua cidade ou seu bairro, inclusive um grande empreendimento de parceria público-privada está em negociação em Belo Horizonte, se chama Nova BH. O Nova BH é uma operação urbana consorciada que promoverá modificações em 25 Km² no solo belo-horizontino e parece ter um Estudo de Impacto de Vizinhança inconsistente. Quando você ver as belas imagens do projeto, lembre-se como nosso instinto pode nos enganar, procure se informar e faça uma análise crítica antes de formular seu posicionamento.

É importante listar os principais itens de análise do EIV, que são:

I – adensamento populacional;
II – equipamentos urbanos e comunitários;
III – uso e ocupação do solo;
IV – valorização imobiliária;
V – geração de tráfego e demanda por transporte público;
VI – ventilação e iluminação;
VII – paisagem urbana e patrimônio natural e cultural.